Universo teologal: diálogo entre teologia e ecologia

Os problemas ecológicos atuais provocam a teologia cristã o desafio de dar ao homem pós-moderno o sentido de um universo teologal. Isto é, os humanos estão nivelados pelos ecossistemas que compõem a grande rede da vida. O ser humano não foi chamado para explorar e dominar (Gn 1,28), mas para cuidar e cultivar (Gn 2,15) o planeta. A criação não pode ser pensada numa perspectiva antropocêntrica, cartesiana e newtoniana que visa objetivar a natureza em prol do progresso ilimitado.

A criação é intrinsecamente boa, e carrega em si um sentido, uma inteligibilidade interna advinda do próprio ato criador. Deus cria, isto é, suscita uma verdadeira novidade, uma realidade que tem em si mesmo uma estrutura imanente de autogênese e de criatividade, que no ser humano alcança o nível de liberdade. A criação não é fabricação de coisas prontas. Criar é fazer com que o outro seja ele mesmo, de modo que, a criação é um campo aberto, dinâmico e criativo.

Do ponto de vista ecológico, toda a criação é perpassada pelo Espírito. J. Moltmann afirma: “Las criaturas son ‘creadas’ (bara) con el aflujo permanente del Espíritu (ruah) divino, existen en el Espíritu y son ‘renovadas’ (hadash) mediante el Espíritu. Esto presupone que Dios crea siempre a través, y en la fuerza, de su Espíritu; y que, por consiguiente, la presencia de su Espíritu condiciona la possibilidad y las realidades de su creación. Presupone tambíen que el Espíritu es derramado sobre todo cuanto es; y que el Espíritu lo conserva, lo vivifica y lo renueva”.

Para J. Moltmann é necessário reafirmar a presença do Espírito que permeia e vivifica o mundo – o Espírito cósmico – que foi suprimida pela cosmovisão mecanicista dos tempos modernos.

A ecoteologia, filha do casamento entre a teologia cristã e a ecologia, precisa afirmar que Deus está presente em suas criaturas e todas as coisas estão voltadas para Ele pelo dinamismo do Espírito que habita o mundo. Em vez de panteísmo (Deus é tudo), podemos falar corretamente em um panenteísmo (Deus está em tudo).

Leonardo Boff esclarece: “Tudo não é Deus. Mas Deus está em tudo e tudo está em Deus, por causa da criação, pela qual Deus deixa sua marca registrada e garante sua presença permanente na criatura (Providência). A criatura sempre depende de Deus e o carrega dentro de si. Deus e mundo são diferentes. Um não é o outro. Mas não estão separados ou fechados. Estão abertos um ao outro. Encontram-se sempre mutuamente implicados. Se são diferentes é para poderem se comunicar e estarem unidos pela comunhão e mútua presença”.

Em outras palavras, de forma poética, a tradição do antigo Oriente expressou a onipresença do Espírito em toda criação: “O Espírito dorme na pedra, sonha na flor, acorda no animal e sabe que está acordado no ser humano”. Viva a vida!

Carlos Cunha

4 Comentários

Arquivado em Reflexão teológica

4 Respostas para “Universo teologal: diálogo entre teologia e ecologia

  1. Parabéns lindo artigo… abraços

  2. Getulio

    Ecoteologia muito interessante!

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