“Narradores de Javé”, tradições e interpretações

Filme: Narradores de Javé por Eliane Caffé e Luís Alberto de Abreu

Sinopse: O filme, baseado em fatos reais, é sobre a população da cidadezinha de Javé, no interior da Bahia, que será invadida pelas águas de uma represa, e chama uma pessoa, Antonio Biá, para escrever a história do lugar e quem sabe impedir inundação. Mas ele encontra histórias contraditórias, egos, fantasias e muitos problemas.

Análise do filme

Objetivo: estudar o processo de comunicação; tradição oral e escrita e interpretação.

Versões sobre a fundação de Javé:

  1. Versão de Vicentino – p.50. – a figura de Indalécio.
  2. Versão de Deodora – p.69. – a figura de Mariadina.
  3. Versão de Vado – p.67. – fugido/retirada.
  4. Versão de Firmino – p.75. – Indalécio morreu defecando e Mariadina era uma louca.
  5. Versão de Daniel – p.98. – a morte do seu pai, Isaías.
  6. Versão de Gêmeo e outro – p.109. – restos mortais de Indalécio.
  7. Versão do Pai Cariá – p.131. – a figura de Indaleu.

Chaves de leitura:

  1. […] (Olha para o livro). É esse aí o livro da salvação? (Dito) – p.41.
  2. […] Uma coisa é o fato acontecido, outra é o fato escrito. O fato tem de ser melhorado no escrito para que o povo creia no acontecido. (Antonio Biá) – p.58.
  3. […] Escritura é assim, gente! Homem curvo vira corcunda, gente de olho torto eu digo que é zarolho, sujeito que é manco na vida, na história eu digo que não tem perna. É assim! É das regras da escritura. (Antonio Biá) – p.64.
  4. Primeiro tenho de registrar tudo, dona! Depois é que vem o trabalho de ir aparando as borda e limpar os excessos… (Antonio Biá) – p.81.
  5. […] as duas histórias têm sustança. Num pode tirar uma sem o prejuízo da outra. (Alípio) – p.83.
  6. […] Que é que ocê (Firmino) tem pra provar? A bosta seca de Indalécio? (Valdo) – p.84.
  7. Peraí gente, isso não é história pra entrar no livro… (Deodora) – p.115.
  8. Ele (Pai Cariá) acha que o Brasil é uma parte da África. É uma aldeia grande dentro da África. (Samuel) – p.129.
  9. Aí fica complicado. Mas depois eu dou um jeito; até aqui a história vai batendo mais ou menos… (Antonio Biá) – p.133.
  10. Surge a figura de Cirilo, uma espécie de profeta de Javé. […] vive com as pedras na gruta da onça. (Firmino) – p.138.
  11. […] Eu não creio em Deus, não creio, não, senhor! E como é que eu posso ter fé, crê num camarada que de tão covarde não veio ao mundo e mandou o filho no lugar?!! (Gaudério) – p.144.
  12. […] Quanto às histórias tais, melhor ficar na boca do povo porque no papel não há mão que lhes de razão… (Antonio Biá) – p.157.
  13. […] O que nós somos é um povinho desmilinguido que quase não escreve o próprio nome, mas inventa histórias de grandeza pra esquecer a vidinha rala, sem futuro nenhum! (Antonio Biá) – p.161.

Carlos Cunha

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março 13, 2013 · 6:22 pm

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