Creio em Jesus Cristo (parte I)

As narrativas dos evangelhos de Marcos (8,29) e Mateus (16,15) se caracterizam por mostrar Jesus Cristo a partir da pergunta basilar: “E vós, quem dizeis que eu sou?”. Os dois discípulos contam qual era a ideia que o povo tinha de Jesus: “João Batista; outros, Elias; outros ainda, um dos profetas” (Mc 8,28). Mas Pedro respondeu: “Tu és o Cristo” (Mc 8,29) ou: “Tu és o Cristo, o filho do Deus vivo” (Mt 16,16).

A resposta de Pedro pode ser assumida, simbolicamente, como a primeira afirmação cristológica. Mas, na realidade, era como que uma antecipação, uma preparação da fé cristológica, que desabrocharia na Páscoa. A confissão petrina também perpassa o conteúdo da primeira pregação querigmática da Igreja apostólica. O próprio Pedro, no dia de Pentecostes, deixou transparecer o ponto alto da sua mensagem, a primeira pregação cristã: “Saiba, portanto, com certeza, toda a casa de Israel: Deus o constituiu Senhor e Cristo, este Jesus a quem vós crucificastes” (At 2,36).

Nascia assim o núcleo da fé cristológica primitiva. Os títulos “Cristo”, “Senhor” e “Filho de Deus” ocuparam o lugar central na confissão de fé das primeiras comunidades cristãs. Atribuía-se ao homem Jesus (nome próprio Yeshua), um título particular (masiah, o ungido, o cristo), emprestado à terminologia teológica do Primeiro Testamento. Logo, a confissão de fé “Jesus é o Cristo” evoluiria para “Jesus, o Cristo” e, posteriormente, para o nome composto “Jesus Cristo”.

Jesus foi o Cristo, o Ungido, o Messias, o Filho de Deus para os seus primeiros discípulos. E para nós, quem é Jesus Cristo? Quem é Jesus Cristo para o cristão do século XXI? Quem é Jesus Cristo para o ser humano hodierno inserido em um mundo “líquido”? Eu explico: Para o sociólogo Zygmunt Bauman, “mundo líquido” é um mundo que:

“jamais se imobiliza nem conserva sua forma por muito tempo. Tudo ou quase tudo em nosso mundo está sempre em mudança […] esse mundo, nosso mundo liquido moderno, sempre nos surpreende; o que hoje parece correto e apropriado amanhã pode muito bem se tornar fútil, fantasioso ou lamentavelmente equivocado”[1].

Em um mundo assim, com tantas dúvidas e incertezas, vazio de verdades fundamentais e absolutas, quem é Jesus Cristo? E mais: Qual é a relevância da vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo para hoje? O que Jesus Cristo tem a dizer atualmente? Por que falar sobre ele? Como falar dele para as sociedades atuais?

Carlos Cunha

[1] BAUMAN, Zygmunt. 44 cartas do mundo líquido moderno. Rio de Janeiro: Zahar, 2011.p.7,8.

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