Creio em Jesus Cristo (parte II)

A pessoa, a vida, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo são centrais para a fé cristã. “Cristianismo é Cristo”. A pessoa e a obra de Jesus constituem a fonte, o centro e o fim, de tudo o que o cristianismo significa e anuncia ao mundo.

Por Jesus Cristo os cristãos aprendem a descobrir quem é, realmente, Deus, quem são os seres humanos, qual a sua verdadeira origem e destino, qual o significado e o valor do mundo e da história, qual o papel da Igreja como guia da humanidade em seu peregrinar pelos séculos afora.

Contudo, Cristo, não exaure o mistério de Deus, antes, aponta para ele. Cristocentrismo e teocentrismo não se opõem. O primeiro implica e exige o segundo. Jesus Cristo não é um meio-termo entre Deus e os seres humanos. Ele não é um “intermediário” que, não sendo nem um nem outro dos extremos que se quer unir, tenta, em vão, cobrir o abismo que separa o infinito do finito. Ele é o “mediador” no qual as duas extremidades estão juntas, de forma irrevogável, porque é, pessoalmente, uma e outra.

Como Homem-Deus, Jesus Cristo, o Filho encarnado, é o “caminho” para o Pai, que está além do mediador. Exprime-o, claramente, o Evangelho de João, quando mostra Jesus dizendo: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim” (14,6).

A cristologia encerra um paradoxo: de um lado, encontramos Deus no homem Jesus, do outro, o Pai permanece além do próprio Jesus. (Jo 1,18; 14,6;9;28; Mc10,18). A revelação de Deus no homem Jesus não esgotou o mistério divino, nem poderia fazê-lo, como também não o esgotou a consciência humana que Jesus teve dele, nem poderia fazê-lo. A consciência de Jesus é essencialmente filial.

A cristologia leva-nos à teologia, ao Deus que se revela, de modo o mais decisivo, em Jesus Cristo, e ao mesmo tempo permanece envolvido no mistério. Nos últimos tempos, o desenvolvimento dos estudos cristológicos e teológicos confirma esse processo: a reflexão teológica vai ao Cristo de Deus ao Deus de Jesus, da cristo-logia à teo-logia.

Jesus Cristo, na qualidade de mediador, ocupa o centro do plano divino para a humanidade. Ele é o canal por onde Deus vem até o ser humano e este vai até Deus. Em última análise, no qual Deus se revela, pessoalmente, ao ser humano e este consegue vislumbrar quem é Deus. Daí resulta que é também em Jesus Cristo que o ser humano chega a se conhecer, plena e verdadeiramente.

Expressão disso se encontra na Constituição Pastoral Gaudium et spes, do Concílio Vaticano II: “Cristo manifesta plenamente o homem ao próprio homem e lhe confere a sua altíssima vocação” (GS 22).

“O homem é mais que o homem”; ele é convidado a transcender a si mesmo, embora sozinho não possa atingir essa autotranscendência, mas deva recebê-la como dom divino. Em Jesus Cristo, o ser humano transcende a si mesmo até Deus, graças à descida de Deus até a condição humana.

Partícipe da filiação divina em Jesus Cristo, o ser humano encontra nele a plena realização de sua abertura para Deus. A divinização do ser humano no Deus-homem leva a humanização ao ápice. Nenhuma antropologia pode se declarar cristã, se não buscar em Jesus o sentido último do ser humano. Sem cristologia não existe antropologia cristã.

O texto é síntese de: DUPUIS, Jacques. Introdução à cristologia. 3.ed. São Paulo: Loyola, 2007.p.7-12

 Carlos Cunha

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Arquivado em Reflexão teológica

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