Pensamento sistêmico, transdisciplinaridade e teologia pública

Imagem 8O encontro entre o pensamento sistêmico de Fritjof Capra e a tarefa da teologia pública é animado por uma tensão permanente entre a aspiração a um saber não fragmentado e o reconhecimento do inacabamento e da incompletude de todo conhecimento. Isto porque o nosso sistema abstrato de pensamento conceitual mostra-se incapaz de refletir a realidade em sua totalidade e plenitude. Tal pensamento é um convite a articulações e a convergências em busca pela compreensão da multidimensionalidade do real sem a presunção de querer abarcá-lo totalmente.

No pensamento sistêmico, a incerteza incita a pensar aventurosamente, a criticar o saber estabelecido, ao autoexame e à autocrítica. Não é só pensar o uno e o múltiplo conjuntamente, mas pensar integralmente os contraditórios reconhecendo a incerteza como possibilidade para o avanço do conhecimento.

A lógica sistêmica pede uma transdisciplinaridade, isto é, a visão do todo como um mundo dinâmico e de múltiplas relações capaz de possibilitar encontros disciplinares mais abrangentes que enriqueçam a compreensão da realidade. A transdisciplinaridade se interessa pela dinâmica gerada pela ação de diversos níveis da realidade ao mesmo tempo levando a termo uma nova práxis capaz de abrir novos espaços para novas formas de saber. Estes novos espaços não são lugares vazios como afirmava o paradigma da simplificação. Pelo contrário, são ambientes cheios de toda potencialidade que ao colocar em evidência a dúvida, o incerto, inaugura trajetos originais e criativos, em que se integram diferentes e contrários aspectos de uma mesma realidade.

Pensamos que fazer teologia a partir do contexto do pensamento sistêmico de forma transdisciplinar permite com que ela se coloque, de forma atual, diante das grandes questões contemporâneas. A postura dialógica, por meio de encontros conscientes em espaços que possibilitem o intercâmbio dos saberes, não só faz a teologia amadurecer internamente como a coloca em posição privilegiada para uma palavra pertinente frente às demandas atuais do mundo e do humano.

O encontro entre a ideia sistêmica e a teologia pública é possível por causa do dinamismo da mobilidade presente nos espaços fronteiriços entre eles. Ali se permitem encontros com o novo. O espaço do “entre-lugares” é um lugar criativo por causa da vivência aberta à interação entre os dialogantes possibilitando assim o deslocamento dos seus próprios lugares enunciativos para um “terceiro espaço” em que emerge a novidade.

Carlos Cunha

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